Me pergunto se querer tanto uma coisa pode, de fato, nos levar até ela e me pergunto se é possível querer o que não se sabe ainda. Quero tantas coisas sem delimitação ou forma estabelecidas. Quero o vasto, o abstrato e tô atrás do que nem sei. Paulo Coelho, em "O Alquimista", diz que o universo conspira a nosso favor quando se acredita nas coisas com vontade de fazer acontecer, da mesma forma como já li tantos outros defenderem que tudo se resume a ter fé.
Definir o que nos torna capazes de contrariar as leis da física, da razão e da lógica, ao dar respaldo para o que não se consegue medir ou explicar, é - por falta de uma palavra melhor - milagroso. Se for assim, talvez o milagre aconteça em mim todos os dias. Não o tipo de milagre que me remete a dogmas religiosos, mas o tipo que acontece quando lembro ainda ter motivos pra dar sentido aos meus anseios ou quando constato, apesar de tudo, ser reflexo de escolhas acertadas. Nada como a sensação de sentir orgulho de si mesmo e de um lar que nos lembre da própria essência. Em momentos como esse, o mundo inteiro é capaz de nos reverenciar e dar parabéns pelo bom trabalho.
Mas... e quando essa sensação parece velha quando se quer torná-la atual? A menina da risada sonora e de determinação teimosa tem parecido uma figura longe. Vai ver o meu milagre aconteça, da forma improvável que lhe é característica, quando renove minha percepção do que chame de lar. "Lar é onde o coração está". Sempre amei essa frase, mas a cabeça só fica sem rumo quando perde o foco com as perguntas: como deixo de lado a vontade que tá de ir embora? Como seguir me relacionando com o que não mais reconheço, nem mesmo de forma remota, como familiar?
- Talvez sentir mais com o coração e menos com a cabeça ajude, meu bem.
Ou talvez devesse parar de me empanturrar com inquietações. Quero berrar, mas é espantoso o quão surdo parece ser meu grito. Antes de ir embora, ainda queria dizer muitas coisas - dessas coisas que não se dizem costumeiramente. Dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe como serão ditas ou ouvidas - ou nem exatamente a que tipo de motivação estão a serviço. Antes de ir embora, queria trabalhar minha fé em me sentir encaixada. Antes de ir embora, talvez devesse voltar a falar de milagres...