quinta-feira, 10 de novembro de 2011

- uma ode ao Natal e à família, por K.

- a capacidade de mudança sempre foi condição híbrida pra mim. Me enche de conforto e esperança saber que certas coisas são mutáveis, mas também há regozijo em reconhecer aquelas que absolutamente não o são. Abaixo, transcrevo a carta que escrevi aos meus Simplícios no Natal de 2010 e a sensação de revivê-la me contenta em níveis indescritíveis. Em tempo de espírito natalino já batendo à porta, divido com vocês. 

Natal é momento de celebração do amor e celebro da forma como imagino mais completa: com a minha família. Amor é palavra sagrada, é o nome de Deus. Todo o universo é criado com, por e em amor. É começo, continuação e fim. Difícil saber quando esperei de forma tão ansiosa por meus Simplícios todos juntos e sinto termos isso em comum. Meu motivo mais claro de agradecimento é a gratidão por tê-los e ter com quem contar é uma de minhas muitas bênçãos diárias.
Quero registrar, mais do que nunca, meu especial agradecimento pelos pais e irmã que tenho. Aqui não desmereço a importância de outras pessoas mas, ainda que de forma embrionária, nada é referencial pra mim sem ser comparado aos exemplos e valores primeiramente havidos em família. É em vocês que penso quando me imagino acolhida e aceita em defeitos e qualidades. É aqui que encontro inspiração e afeto. Afeto que é base do que somos e no que confiamos pra superar nossas dificuldades de convivência em tudo. Afeto que aplaca a distância, as discussões e as formas diferentes de ver o mundo. Mais uma vez, foi e é o amor que sentimos uns pelos outros o responsável por estarmos aqui, juntos, com a sensação de que a espera valeu a pena. Obrigada, painho, pelo legado do que é certo e errado, do que é justo e por, como diria Clarice Lispector, carregar no rosto sério uma alegria até mesmo divina pra dar. Obrigada, mainha, pela eterna sensação de volta pra casa que é vê-la, ouvi-la e abraçá-la. Pelo amor materno que nutre e embala.  Obrigada, Lila, por ser confidente e ouvinte de minhas alegrias e desabafos. Obrigada pela irmandade, pela amizade e por ser confidente de mim.
Feliz Natal pra minha família linda! Que o Natal de 2010 seja tão especial quanto é tê-los como pai, mãe e irmã. Amo muito vocês.

K.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

falando baixinho, por K.

Quais as emendas possíveis para um coração partido? Será possível emendar, colar, customizar e fazer parecer novo? Já escutei muitas vezes “querer é poder”, mas acho imbecil a tentativa de juntar duas atitudes tão essencialmente individuais em matéria de nós.
Gostaria de querer poder junto. Em sintonia. Mas os dias alternam, em verdade, em vontades opostas.
Fica o dito pelo não dito e a solidão compartilhada ecoando cada vez mais alto em paredes com ouvidos. Entre reflexões e flashs da vida que não quero ter, sou seduzida pela ideia de que o amor melhor é o amor fácil, sem amarras. Somos educados a pensar que tudo deve ser conquistado a troco de suor e lágrimas ou, ainda que não tudo, mais valioso é o caminho tortuoso em detrimento do atalho que me faz chegar mais rápido. Eu me nego a optar por uma coisa ou outra, mas quero e posso fazer a escolha de querer as coisas mais leves mesmo que também valorize o empenho, o suor e a luta. 

- a dúvida é se você vem comigo. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

- inveja branca, por K.

- ontem assisti ao discurso que Steve Jobs fez diante de uma turma de formandos em Stanford e, em tempos de nostalgia por meu próprio ano de formatura, desejo toda a fibra característica do discurso. Quero, um dia, voltar a ler esse mesmo texto e perceber que as escolhas feitas foram capazes de transformar, a mim, em exemplo de referencial parecido com o dele.   
Pretensões audaciosas à parte, é realmente essencial aprender a dar ouvidos aos "assuntos do coração", sem conotações amorosas obrigatórias a respeito. Quando falo "assuntos do coração", me refiro ao que se ouve como voz interior, intuição ou instinto. Me refiro aos momentos em que se abandona o cartesianismo com que somos moldados a analisar o mundo capitalista. Me refiro a enxergar o tão essencial que é invisível aos olhos, já que, alà Exupéry, só se vê bem com o coração.
Que trabalhemos mais, que gargalhemos mais, que aprendamos mais... que registremos muitas outras intenções! Mas que, acima de tudo, as façamos com o melhor referencial em mente: que amemos muito fazendo tudo isso. Amemos pessoas, coisas e até mesmo os momentos de angústia absurda na busca e conquista delas. 
E que, no final, tenhamos a melhor perspectiva e resultado ao ligar todos os pontos. No final, que estufemos o peito e façamos que nem a "Pequena Abelha", de Chris Clive: 

Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriza significa: "Eu sobrevivi". 

Que as cicatrizes todas tenham valido a pena. Que, ter sobrevivido, tenha valido a pena. Valido a pena de tombos, frustrações e dissabores. Valido a pena, de fato, pescar todas as  ilusões.


NOTA: protagonizar a própria vida não é pra qualquer um. Steve Jobs, nós te amamos!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

- a soma dos dias, por K.


No ano dos meus 23 anos, e tentando ajustar todas as idades que abarco, percebo que são muitas. Existe a cronológica, a da memória, a de espírito. Mas ainda não aprendi a negociar com elas... a idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente. E sinto ter tantas. Parece que o corpo de ancas largas, cabelos negros e olhos bem marcados já serviram de abrigo pra muitas versões e anos a fio.
Adaptando García Marquez, “talvez o que aconteça é que não agüentemos o peso”. O peso da consciência, das pessoas que recebemos e expulsamos, dos ciclos, do passar dos anos. As idades todas, quando em soma, na verdade podem ser traiçoeiras à medida que me fazem dar boas vindas à experiência, mas me tornam pesada de percepções. Sou mesmo contraditória e, ainda que tente fugir de adágios populares, o desafio é aceitar que tudo tem seu lado bom e ruim. E, principalmente, ter serenidade pra saber lidar com esse tal lado ruim.
Lado B que sempre há de vir como o acessório segue o principal. É isso o que nos torna especiais e diferentes na essência, talvez. O que nos torna melhores. Melhores a partir de um amontoado de coisas ruins e das reações diante do negro. Sou uma velha de 23 anos, com um futuro enorme pela frente e já vivendo os planos que ainda nem saíram do papel. Sim... porque tenho pressa. Tenho pressa e sinto o peso, meu amigo. O hoje já começou e tenho mais é que pensar no amanhã porque ele vai chegar até o dia em que estiver a salvo dos tormentos da memória. Memória que não falha, ainda que por vezes tenha preferido que me fosse mirrada. Memória que não falha, e a quem sou grata por lembrar de pretéritos felizes com a clareza que merecem.  
Hoje, sou uma velha de 23 anos... escrevendo memórias póstumas, mas com o coração feliz. Porque descobri, pra minha alegria, que é a vida e não a morte que não tem limites. E é pra ela e por ela que tenho pressa, enquanto há tempo e estou vivinha da silva.


terça-feira, 26 de julho de 2011

- do alto do meu sistema límbico, por K.

*** Que se danem a ABNT e as regrinhas pra citações. O post de hoje é literalmente em homenagem a um mooonte de gente que vive falando por mim quando os leio e em Proust, quando diz que "na realidade, todo leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo".  Não me resta nada além de concordar e jogar aqui. 

- O que vale a pena, no final das contas, é isso: fazer e sentir as coisas com carinho e afeto.  

Falo isso em sinal do quanto concordo com idéias como as de Clarice e me sinto crente da mais completa verdade universal quando as leio. "Amar os outros é a única salvação individual que conheço: Ninguém estará perdido se der amor e as vezes receber amor em troca" me chama à reflexão de que é assim que realmente se vive através do tempo que não nos espera. Tempo que matura, que esmorece, que passa e não perdoa. Tempo que urge e não me espera. Que custa e passa tão rápido.
Só não quero fechar os olhos bem velhinha e admitir que "parece que foi ontem" e não fiz nada de digno com isso tudo ao meu redor. "Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram, mas vamos ficando sozinhos uns dos outros". Isso me faz lembrar do quanto, assim como Quintana, morro de medo da solidão como o diabo foge da cruz. Temo perder os que amo e temo perder a mim mesma.

- Afinal de contas, sem amor, só a loucura.

E esse tipo de loucura é o pior de todos. O que se apossa da gente como água escassa que mata a sede em dias de verão. Aos pouquinhos e de forma sorrateira, como quem não quer nada. Muito embora desejar escapar da solidão seja batalha perdida, é muito custoso ter real ciência dos próprios limites. 
Amizade e amor não se procuram, não se imaginam, não se desejam. São exercitados. Essas coisas não se entendem ou se dão forma. Fazer isso significa privá-las da liberdade com que têm de acontecer naturalmente. Mesmo que depois me deixe invadir por uma ignorância tácita e consciente, de vez em quando bato o pé por não ver tão bem com o coração quanto gostaria. A sensação de verdadeira ignorante com relação aos assuntos do sistema límbico - sim, porque é lá que o cérebro processa as emoções -  pro post de hoje, mais uma vez me valho de palavras emprestadas: "Compreender é sempre um erro". É ruim, mas pelo menos se sabe que se está em plena condição humana. A lucidez é um luxo que nem todos se podem permitir e aqui, como não poderia deixar de ser, quem fala por mim é Cora: "Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas... E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida". 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

- tão Felipa, por K.

De todos os exercícios humanos, a busca sempre lhe pareceu o mais exaustivo.  Relacionavam-se de forma ciclicamente (des)construtiva: a busca e ela. Felipa tinha fome, sede e expectativa daquilo que não conhecia e do que queria tornar familiar. Aguçar a curiosidade sempre fora uma das formas mais eficientes de prender-lhe a atenção e em doses de inveja, em maior parte branca, desejava coisas e pessoas em medidas estranhas. Queria o desprendimento, o desapego e a capacidade de não enraizar daqueles livres por convicção e não por rebeldia. Dos libertos de espírito. A liberdade, havia muito tempo, lhe parecera mais atraente e sedutora em detrimento daquilo que lhe prendia ao chão, ao lugar comum das pessoas. Não tinha nada em comum com pertencer a lugares de forma catalogada. Nunca gostou, mesmo ciente de que é maneira de familiarização com o mundo ao redor, de etiquetar.

- Os copos de vidro pertencem ao armário central. Os de plástico, ao da esquerda. As xícaras, porque herança de família, devem estar cuidadosamente expostas ao longo da prateleira da cozinha. Em destaque.

Tudo assim. No seu devido lugar e de fácil acesso, posto em prioridade por ordem de material, cor, função e valor sentimental.  Ambientes tão cheios de ordem e protocolo a incomodavam até o último fio de cabelo como pedra em sapato já apertado. Não podia se deixar submeter, mas com o pouco de sensatez que ainda lhe restava, também não lhe era possível ser tão quadrada a ponto de encarar tudo como submissão ou tolhimento. Existiam arestas a aparar. A vida precisava de ordem por algum motivo justo e a impressão que vinha tomando do mundo era a de que mais valia ter controle do que praticar o desperdício.
Existiam pessoas por quem valia a pena organizar a bagunça, ceder, tolher vontades e impulsos. Na verdade, existiam pessoas e motivos legítimos pra isso. Com esforços mínimos de concentração, relembrava o quanto já ouvira que pessoas assim como ela – cheia de vontades e de opinião sobre tudo – tinham mais dificuldade em pertencer. No entanto, se sentia tão delas, tão do mundo, tão filha, tão irmã, tão amiga, tão namorada. Tão repleta das etiquetas que não gostava de dar.

- Afinal, que somos nós senão um amontoado de papéis representados, etiquetas fixas em carne viva e um bocado de rebeldia?


Havia, no entanto, um tempo preciso para livrar-se de, senão todas, algumas delas. O de Felipa havia certamente chegado. Era chegada a hora de passar, limpar, organizar copos e xícaras em seus devidos armários e prateleiras. Queria mais era poder dizer “A casa é sua, pode entrar. Quarto, sala e cozinha, agora cheirosos e limpinhos, em ordem para melhor recebê-los”. Para sua saúde física, e mental principalmente, era preciso voltar à tentativa de pertencer sendo livre. À tentativa de, senão com tudo em absoluta ordem e protocolo, conseguir achar-se na própria bagunça. Queria verdadeiramente ser e não só estar. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

- temporada de caça mode ON, por K.

Que existe tempo pra falar, pra fazer, pra colher, pra calar, isso todo mundo já sabe ou, pelo menos, finge que sabe. Que é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê, Marcelo Camelo também já escreveu e cantou. O que me martela a mente é como ajustar a ordem das coisas na minha cabeça e, em especial, na dos outros. Nunca consegui ser desligada do mundo a ponto de não me preocupar com o que as pessoas vão pensar e nunca foi tão difícil lidar com a quantidade de expectativa pairando solta sobre nossos compromissos, relacionamentos e atitudes.
Lamentando minha própria dificuldade e me resignando com o que vejo e sinto, só posso achar a maior graça!

- Sinceramente?

Porque seremos sempre assim, por mais que não nos aceitemos: ansiosos pra ver os esforços reconhecidos e as coisas acontecerem. A paciência de Buda, a serenidade de Ghandi, John Lennon e nós “living life in peace” parecem sonhos de uma noite de verão.
Seja pra coisas importantes ou praquelas sem importância alguma, todo mundo quer prestígio, reconhecimento, elogio, ego massageado. Todo mundo sempre vai esperar algo em troca e nessa ciranda de malucos, nós todos somos parasitas e hospedeiros das qualidades que cobiçamos e das que nos são próprias.

- Só não me venha você, falso moralista, dizer que não faz isso.

Chafurde nessa cabecinha, na memória de seus desejos mais sacanas, naquela grama do vizinho que sempre foi mais verde e, admita que seu filho poderia dá-lo mais orgulho. Que sua mulher poderia não insistir em discutir a relação. Que seu chefe poderia dá-lo um aumento. Que a chuva poderia dar uma trégua. Que você gostaria de torrar sua poupança pra conhecer o mundo. Que muitos “quês” ficaram pelo caminho pra conduzi-lo, bem ou mal, ao ponto em que está hoje.
Já dizia meu camarada Woody Allen que "a natureza é um imenso supermercado onde se caçam todos uns aos outros". Em relação aos produtos mais cobiçados, só nos resta lamentar não ter o bastante pra levar pra casa.

- Ou não.

Mas vamos ao bom e velho momento de reflexão:

- Vale mais a pena matar meu desejo ou poupar o dinheiro pra colocar arroz e feijão em casa?

Senhor Deus dos Homens - que me perdoe, desde já, a heresia! - mas querer bem aos outros assim, a troco de nada, parece mais coisa pra almas elevadas e desprovidas de qualquer traço humano. Hoje, nessa terça com gosto e intenção de caça aos meus pequenos tesouros, quero me identificar com quem tem inteligência emocional e sabe usar. Afinal de contas, como diria Amelie Poulain, são tempos difíceis para os sonhadores e só me resta baixar a cabeça e assinar embaixo. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

- hoje tem espetáculo? tem sim, senhor!


Hoje em dia, a sorte de um amor tranqüilo não me parece mais a dois passos de distância. Hoje em dia, esse tipo de sorte tem me conduzido por bifurcações e pavimentação ruim. Meu tema tá mais pra punk rock, grunge, metal e coisas que combinem com dois goles da bebida mais forte. Meu tema tá assim: difícil de acompanhar ou entender, mas fazendo completo sentido pras curiosidades que preciso matar, pras loucuras que não fiz, pra diversão maluca que faz fronteira com o ridículo e os excessos.
No meio de tudo isso, as coisas têm se dividido muito entre o que depende só de mim e o que, apesar da repulsa pela falta de controle, pertence ao que deve acontecer de forma circunstancial.
Alô você que também se pergunta em que altura do show o espetáculo passar a ser só seu. Decifra-me, senão te devoro, mas me responda:

- Em algum momento o espetáculo passa a ser só seu, de verdade?

Sensação chata essa de se sentir fantoche. Sensação chata.

sexta-feira, 11 de março de 2011

levanta daí e age!, por K.

, lembro claramente de ouvir mainha falar – em especial quando todos os meus problemas se resumiam a decidir com qual amiguinha brincaria no fim de semana - que quando a gente quer muito uma coisa e pede a papai do céu, o desejo se realiza. Lembro também quando essa verdade então inabalável caiu por terra. Sem apelo pra melodramas, mas parece que premissa pra virar gente grande é adquirir talento pra complicar a vida e esquecer que papai do céu existe. 

É olho por olho, dente por dente e o código de Hamurábi reina solto na realidade imaginária dos filhos de  Deus. Mas pera lá e calminha aí: Não "priemos cânico" porque ainda há esperança pros que respeitam o lugar na fila, não falam palavrão e pagam os impostos. Você na sua, eu na minha e a gente vai vivendo a vida sem troca... sem demonstrações de atenção ou afeto e, acima de tudo, sem pedir opinião porque tudo hoje é invasão de privacidade. Mas CARAL*&! - sim, eu falo palavrão! - a verdade é que, mais do que nunca, a gente cava a própria cova. Eu tô aqui, mostrando interesse, querendo ajudar, conhecer, querendo fazer parte e, principalmente, deixando você fazer parte. A gente não pode mais se dar ao luxo de acreditar com tanta facilidade nas coisas, e em especial nas pessoas,  mas tô pagando o preço porque julgar o livro pela capa não tá mais valendo a pena.
Não somos, na verdade, o que queremos ser, mas o que nos tornamos a custo de uma série de circunstâncias, escolhas, arrependimentos e influências das mais plurais... A propósito, influências que, pergunto eu, quais são? Falta de tempo crônica para prioridades, fomento a uma cultura de massa que só resulta em alienação e gente achando que Cazuza merece ser herói depois que os dele morreram?
Bete Balanço (ainda assim!) foi esperta quando adiantou: “o teu futuro é duvidoso. Eu vejo grana, eu vejo dor. No paraíso perigoso que a palma da tua mão mostrou”. Paraíso mais pra faca de dois gumes, isso sim. Cansemos de dar importância praquilo que continua refletindo como “falta de tempo crônica para prioridades”, inflando propósitos descabidos em detrimento de nossa paz espiritual. Tanta coisa já escapa ao nosso controle, que fica difícil lidar com tanta bagagem injustificada. Não venha você me convencer de que a  próxima pedida vai ser esperar 2012 pra que o apocalipse nos brinde com alguma chance de recomeço, sem tantos avisos prévios. Minha verdade espantada (e mais uma vez indignada!) é que eu só confirmo como as pessoas trabalham “bem” com o comodismo e com suas próprias versões do que viria a ser qualidade de vida. A minha verdade espantada é a de que sempre estive só de mim mesma e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. (porra, Clarice!)
Só que essa noção da realidade merece ser conquistada e digerida em doses homeopáticas. Tanta solidão de uma vez assusta e prefiro me reservar ao direito de ser otimista, apesar de não tão ingênua quanto mainha e seus conselhos sobre papai do céu.  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

a loba de Hobbes, por K.

Gratos de nós, mortais, repletos de felicidade triste e deprimida! Sejamos solidários porque mais vale aplacar a culpa doando sobras, a doar o tempo livre que não nos disponibilizamos em encontrar. Nada mais curiosa que a busca por comparações ou superlativos na (má) sorte alheia. O que será que nos torna mais felizes que outros? Quando será que priorizamos as coisas certas? Milionários mais ricos sustentados por pobres miseráveis certamente não nos põe em prioridade plausível. Presenciar a fome de um capitalismo selvagem que ainda vai morrer pela boca é muito Thomas Hobbes pra mim. Atitude intrínseca à forma ocidental de ver o mundo, essa mania de ser mais em detrimento daquilo que é menos me leva à reflexão. Somos dependentes uns dos outros por necessidade de crescermos juntos ou o somos para alcançar um sucesso egoísta?
Reflexão que me vem de forma lamentável, na verdade. Homem primata e capitalismo selvagem é muito rock dos anos 80. Pena que ainda toca no vitrolão aqui de casa. 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

à mestra, com carinho., por K

- Antes de mais nada, algumas considerações da autora. O post de hoje vai pra ela que, além de irmã e amiga, já era uma espécie de "mestra" pra mim. Parabéns pelo mestrado, minha irmã! Dia 18 de fevereiro de 2011 foi um dia muito especial e nos encheu de orgulho. Abaixo, mais um testemunho da irmã babona que eu sou. 

Apesar do tom brincalhão, nossos pais não brincaram quando pediram pra que eu viesse em nome de nossa família. Sabemos o quanto esse momento, com gosto e sabor de vitória, foi fruto de muito esforço pessoal e profissional. Parte da sua dedicatória na própria tese faz menção a isso e – tudo bem vai! mesmo que painho e mainha não tenham lá tanto talento pra metáforas –  termos a noção de que o barco não foi feito para o porto, faz parte do quanto eu e eles próprios temos noção do seu potencial.
Imagino o quanto, mesmo de longe, eles não devem estar em festa... Constatando que o desprendimento necessário para deixá-la construir seu futuro está sendo maravilhosamente recompensado. Por constatarem que todas as tentativas para aplacar a distância são válidas quando, como recompensa, se tem uma filha já com uma bagagem técnica tão robusta - e agora mestra, rumo a mais realizações profissionais das mais promissoras!  
Você é fruto de muito orgulho pra eles e pra mim, xuquita. É muito “orgulhador” conhecer pessoas que lhe rodeiam e ouvir quase que unanimemente que minha irmã é alguém competente, de fácil acesso, disposta a crescer junto com as pessoas e com quem se pode contar. É comprovar o que eu já sei, mas com o sentimento de orgulho e felicidade por ver que todas essas qualidades são reconhecidas por pessoas não tão suspeitas quanto eu. Você é igualmente merecedora de todo o reconhecimento, quer ele viesse acompanhado do título de “mestra” ou não.
                Por fim, só quero dizer que to feliz por estar aqui. Feliz como se minha vitória fosse e por, mais uma vez, ser e fazer parte! Amo você de todo o coração e é muito - mas MUITO! - gratificante ser testemunha do seu crescimento. Eu sou da sua torcida organizada e sempre vou ser. Sempre!
xero na bunda,
K.


** testemunho de um belo chá de cadeira em Congonhas, vindo de uma passageira super ansiosa pra chegar logo e lhe dar aquele abraço! 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Faça uma aniversariante feliz você também, por K.

- antes que alguém me acuse de roubar idéias alheias, o post de hoje é inspirado única e exclusivamente no que vi, li, gostei e alá Clarah Averbuck, também quis fazer minha própria lista. somos todos materialistas nesse mundo de meu Deus e tenho dito. 

É MEU ANIVERSÁRIO. QUERO GANHAR COISAS. OBRIGADA! 
* uma carteira vermelha (porque no dia em que eu começar a ganhar dinheiro, seria legal ter onde guardar).  
* livros, sempre. 
* um bom vinho merlot. aceitamos também Absolut Ruby Red.  
* inspiração pra bendita monografia (sim, porque nós também queremos um diploma!)
* temporadas de Grey´s Anatomy
* temporadas de One Tree Hill
* temporadas de The Big Bang Theory 
* perfumes: 212, j´adore, miss dior chérie. (felicidade extrema da aniversariante? pure turquoise, da rauph lauren).   
* maquiagens mac (em especial blush, corretivo e rímel!) 
* comida de gato
* areia pra gato
* um homem (hetero, por favor!) decente, bem-humorado, charmoso, com dinheiro no bolso e que, como eu, acredite que a boa vontade ainda vai salvar a humanidade. 
* calço 38, visto 42 e na dúvida entre M ou G, fiquemos com o tamanho maior. 
* uma banheira vitoriana (pros dias em que só consigo pensar em um banho gostoso e um bom vinho!)   
* esmaltes rebul, nice, princesa, maçã do amor ou pura luxúria. 
* amigos de fé (porque ainda é a melhor forma de amor!)
* filmes, muitos filmes! Woody Allen, Almodòvar, Aronofsky, Clint Eastwood, Spielberg e gêneros dos mais variados, exceto pornô pesado. (grata!)
* qualquer coisa que me for dada de coração. 


um xêro, 
isso não é uma brincadeira, 
à disposição para quaiquer dúvidas, 





sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

sem conserto, por K.

- Não se preocupe. Não há nada que se mova ou aconteça tão rápido quanto a velocidade da luz.

Enfim, era inevitável concordar. Mas mesmo assim, a decepção. Quase nenhuma outra idéia lhe pareceria melhor que, à velocidade súbita com a qual coração falara mais alto, ficasse afônico. Fora fisgada por seu doce vampiro e agora ardia em desejo pulsante de repeteco. A luz sobre a ignorância humana parecia cristal claro: não havia mais remédio. Martina então se dava conta da insignificância de mais uma paixão platônica frente aos milhares de acontecimentos diários de exatos quatrocentos zilhões de habitantes do planeta Terra. Nem a posição fetal capaz de confortá-la como de costume ou as lágrimas já em poças no chão pareciam funcionar.
O mundo era um lugar cruel e tentador pra se estar vivendo essa noite e seu pequeno reduto – que secretamente sempre fora o banheiro – cumpria com a função de devoto abrigo. Os velhos azulejos azuis, a iluminação em amarelo quase penumbra e as pequenas frestas da janela eram testemunhas de mais um momento de desespero ébrio. Nada sabia fazer com o que tinha diante de si, com a dor de cabeça de proporções homéricas ou a memória mirrada das coisas - amigas fiéis de bebedeiras constantes.
A pobre menina rica de sofreguidão desmedida nada fazia a não ser constatar a armadilha da qual era cativa. Apaixonara-se, coitada. Queimada de brincar com fogo, que restava agora senão a embriaguez? Pra tomar gim, então? Só podia ser por causa de homem mesmo. Mais cinco goladas daquelas, não lembraria de nada quando o sol, travesso, teimasse em nascer.
Viva – ou imbecil - como ela só, lhe parecia complicado decidir entre esquecer ou lembrar cada mínimo tico detalhe como sabia que aconteceria. Queria mudança de hábitos, de rotina, mas sentia-se culpada por desejar que viessem sem o menor esforço seu. "É mais forte do que eu" - pensava consigo.
Do auge da experiência de seus 23 anos, os costumes não mudavam. Mais uma vez como em milhares de tantas outras, tentando convencer-se, repetia (in)verdades clichês. Nauseada pelas próprias desilusões, outra vez estava decidida a nunca-nunquinha-jamais entregar corpo e coração à mesma pessoa e – pior! – ao exato mesmo tempo. Tanta disciplina e trabalho mental desde a última embriaguez por gim (sim, ele era o melhor amigo para a cura de dores de amor), não mereciam negligência.
Amanhã acordaria triunfante para o dia da mutação das coisas. Amanhã se daria conta de que estava mesmo mudada. Do contrário, não haveria explicação para negar o entre lençóis mais querido da década. Amanhã, feliz da moça e mesmo que no chão de seu banheiro cinco estrelas caídas, acordaria tendo encontrado seu lugar no mundo. Martina, outrora devota da máxima “não existe pecado do lado de baixo do equador”, haveria de aceitar que dias assim lhes seriam pretéritos. Agora, celibatária e puritana, desejava livrar-se das tentações desse mundo, em busca do amor verdadeiro que nada tinha haver com sexo e outras sacanagens. 

- Pobre Martina, desistia de uma ilusão para acreditar em outra. 

Pena era que, memória fresca das fases promíscuas, só queria voltar duas quadras à esquerda. Onde os beijos eram arrepio; a pele, libido.






- O que será? Que será? Que vive nas idéias desses amantes?