*** Que se danem a ABNT e as regrinhas pra citações. O post de hoje é literalmente em homenagem a um mooonte de gente que vive falando por mim quando os leio e em Proust, quando diz que "na realidade, todo leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo". Não me resta nada além de concordar e jogar aqui.
- O que vale a pena, no final das contas, é isso: fazer e sentir as coisas com carinho e afeto.
Falo isso em sinal do quanto concordo com idéias como as de Clarice e me sinto crente da mais completa verdade universal quando as leio. "Amar os outros é a única salvação individual que conheço: Ninguém estará perdido se der amor e as vezes receber amor em troca" me chama à reflexão de que é assim que realmente se vive através do tempo que não nos espera. Tempo que matura, que esmorece, que passa e não perdoa. Tempo que urge e não me espera. Que custa e passa tão rápido.
Só não quero fechar os olhos bem velhinha e admitir que "parece que foi ontem" e não fiz nada de digno com isso tudo ao meu redor. "Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram, mas vamos ficando sozinhos uns dos outros". Isso me faz lembrar do quanto, assim como Quintana, morro de medo da solidão como o diabo foge da cruz. Temo perder os que amo e temo perder a mim mesma.
- Afinal de contas, sem amor, só a loucura.
E esse tipo de loucura é o pior de todos. O que se apossa da gente como água escassa que mata a sede em dias de verão. Aos pouquinhos e de forma sorrateira, como quem não quer nada. Muito embora desejar escapar da solidão seja batalha perdida, é muito custoso ter real ciência dos próprios limites.
Amizade e amor não se procuram, não se imaginam, não se desejam. São exercitados. Essas coisas não se entendem ou se dão forma. Fazer isso significa privá-las da liberdade com que têm de acontecer naturalmente. Mesmo que depois me deixe invadir por uma ignorância tácita e consciente, de vez em quando bato o pé por não ver tão bem com o coração quanto gostaria. A sensação de verdadeira ignorante com relação aos assuntos do sistema límbico - sim, porque é lá que o cérebro processa as emoções - pro post de hoje, mais uma vez me valho de palavras emprestadas: "Compreender é sempre um erro". É ruim, mas pelo menos se sabe que se está em plena condição humana. A lucidez é um luxo que nem todos se podem permitir e aqui, como não poderia deixar de ser, quem fala por mim é Cora: "Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas... E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida".