, lembro claramente de ouvir mainha falar – em especial quando todos os meus problemas se resumiam a decidir com qual amiguinha brincaria no fim de semana - que quando a gente quer muito uma coisa e pede a papai do céu, o desejo se realiza. Lembro também quando essa verdade então inabalável caiu por terra. Sem apelo pra melodramas, mas parece que premissa pra virar gente grande é adquirir talento pra complicar a vida e esquecer que papai do céu existe.
É olho por olho, dente por dente e o código de Hamurábi reina solto na realidade imaginária dos filhos de Deus. Mas pera lá e calminha aí: Não "priemos cânico" porque ainda há esperança pros que respeitam o lugar na fila, não falam palavrão e pagam os impostos. Você na sua, eu na minha e a gente vai vivendo a vida sem troca... sem demonstrações de atenção ou afeto e, acima de tudo, sem pedir opinião porque tudo hoje é invasão de privacidade. Mas CARAL*&! - sim, eu falo palavrão! - a verdade é que, mais do que nunca, a gente cava a própria cova. Eu tô aqui, mostrando interesse, querendo ajudar, conhecer, querendo fazer parte e, principalmente, deixando você fazer parte. A gente não pode mais se dar ao luxo de acreditar com tanta facilidade nas coisas, e em especial nas pessoas, mas tô pagando o preço porque julgar o livro pela capa não tá mais valendo a pena.
Não somos, na verdade, o que queremos ser, mas o que nos tornamos a custo de uma série de circunstâncias, escolhas, arrependimentos e influências das mais plurais... A propósito, influências que, pergunto eu, quais são? Falta de tempo crônica para prioridades, fomento a uma cultura de massa que só resulta em alienação e gente achando que Cazuza merece ser herói depois que os dele morreram?
Não somos, na verdade, o que queremos ser, mas o que nos tornamos a custo de uma série de circunstâncias, escolhas, arrependimentos e influências das mais plurais... A propósito, influências que, pergunto eu, quais são? Falta de tempo crônica para prioridades, fomento a uma cultura de massa que só resulta em alienação e gente achando que Cazuza merece ser herói depois que os dele morreram?
Bete Balanço (ainda assim!) foi esperta quando adiantou: “o teu futuro é duvidoso. Eu vejo grana, eu vejo dor. No paraíso perigoso que a palma da tua mão mostrou”. Paraíso mais pra faca de dois gumes, isso sim. Cansemos de dar importância praquilo que continua refletindo como “falta de tempo crônica para prioridades”, inflando propósitos descabidos em detrimento de nossa paz espiritual. Tanta coisa já escapa ao nosso controle, que fica difícil lidar com tanta bagagem injustificada. Não venha você me convencer de que a próxima pedida vai ser esperar 2012 pra que o apocalipse nos brinde com alguma chance de recomeço, sem tantos avisos prévios. Minha verdade espantada (e mais uma vez indignada!) é que eu só confirmo como as pessoas trabalham “bem” com o comodismo e com suas próprias versões do que viria a ser qualidade de vida. A minha verdade espantada é a de que sempre estive só de mim mesma e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. (porra, Clarice!)
Só que essa noção da realidade merece ser conquistada e digerida em doses homeopáticas. Tanta solidão de uma vez assusta e prefiro me reservar ao direito de ser otimista, apesar de não tão ingênua quanto mainha e seus conselhos sobre papai do céu.