terça-feira, 14 de junho de 2011

- temporada de caça mode ON, por K.

Que existe tempo pra falar, pra fazer, pra colher, pra calar, isso todo mundo já sabe ou, pelo menos, finge que sabe. Que é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê, Marcelo Camelo também já escreveu e cantou. O que me martela a mente é como ajustar a ordem das coisas na minha cabeça e, em especial, na dos outros. Nunca consegui ser desligada do mundo a ponto de não me preocupar com o que as pessoas vão pensar e nunca foi tão difícil lidar com a quantidade de expectativa pairando solta sobre nossos compromissos, relacionamentos e atitudes.
Lamentando minha própria dificuldade e me resignando com o que vejo e sinto, só posso achar a maior graça!

- Sinceramente?

Porque seremos sempre assim, por mais que não nos aceitemos: ansiosos pra ver os esforços reconhecidos e as coisas acontecerem. A paciência de Buda, a serenidade de Ghandi, John Lennon e nós “living life in peace” parecem sonhos de uma noite de verão.
Seja pra coisas importantes ou praquelas sem importância alguma, todo mundo quer prestígio, reconhecimento, elogio, ego massageado. Todo mundo sempre vai esperar algo em troca e nessa ciranda de malucos, nós todos somos parasitas e hospedeiros das qualidades que cobiçamos e das que nos são próprias.

- Só não me venha você, falso moralista, dizer que não faz isso.

Chafurde nessa cabecinha, na memória de seus desejos mais sacanas, naquela grama do vizinho que sempre foi mais verde e, admita que seu filho poderia dá-lo mais orgulho. Que sua mulher poderia não insistir em discutir a relação. Que seu chefe poderia dá-lo um aumento. Que a chuva poderia dar uma trégua. Que você gostaria de torrar sua poupança pra conhecer o mundo. Que muitos “quês” ficaram pelo caminho pra conduzi-lo, bem ou mal, ao ponto em que está hoje.
Já dizia meu camarada Woody Allen que "a natureza é um imenso supermercado onde se caçam todos uns aos outros". Em relação aos produtos mais cobiçados, só nos resta lamentar não ter o bastante pra levar pra casa.

- Ou não.

Mas vamos ao bom e velho momento de reflexão:

- Vale mais a pena matar meu desejo ou poupar o dinheiro pra colocar arroz e feijão em casa?

Senhor Deus dos Homens - que me perdoe, desde já, a heresia! - mas querer bem aos outros assim, a troco de nada, parece mais coisa pra almas elevadas e desprovidas de qualquer traço humano. Hoje, nessa terça com gosto e intenção de caça aos meus pequenos tesouros, quero me identificar com quem tem inteligência emocional e sabe usar. Afinal de contas, como diria Amelie Poulain, são tempos difíceis para os sonhadores e só me resta baixar a cabeça e assinar embaixo. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

- hoje tem espetáculo? tem sim, senhor!


Hoje em dia, a sorte de um amor tranqüilo não me parece mais a dois passos de distância. Hoje em dia, esse tipo de sorte tem me conduzido por bifurcações e pavimentação ruim. Meu tema tá mais pra punk rock, grunge, metal e coisas que combinem com dois goles da bebida mais forte. Meu tema tá assim: difícil de acompanhar ou entender, mas fazendo completo sentido pras curiosidades que preciso matar, pras loucuras que não fiz, pra diversão maluca que faz fronteira com o ridículo e os excessos.
No meio de tudo isso, as coisas têm se dividido muito entre o que depende só de mim e o que, apesar da repulsa pela falta de controle, pertence ao que deve acontecer de forma circunstancial.
Alô você que também se pergunta em que altura do show o espetáculo passar a ser só seu. Decifra-me, senão te devoro, mas me responda:

- Em algum momento o espetáculo passa a ser só seu, de verdade?

Sensação chata essa de se sentir fantoche. Sensação chata.