domingo, 12 de setembro de 2010

(Re)começo, por K.

É regozijo pelo belo resultado que alcançamos. É sentir, enfim, fogo que arde sem doer e visitar recordações querendo guardá-las. É constatar como é bom sentir-se leve e aberta a possibilidades.
Foi minha hora de despir-me, fazer a travessia e me desprender da melhor maneira que imagino poder ter sido: através de você. Não tenho mais meu estranho - ou necessariamente o preferido. Tenho, simplesmente, sem desmerecer importâncias ou aprendizados, uma de minhas mais belas, memoráveis e válidas recordações.

- Obrigada, amor meu.


Quando sempre achei precisar deixá-lo ir, quem precisava fazê-lo era eu. A travessia foi feita. A minha travessia foi feita. Podemos descansar agora. Posso, agora, soltar sua mão ou qualquer coisa que lhe pertença e tenha querido tornar meu por todos esses anos. Posso, agora, querê-lo bem, sem querê-lo pra mim da forma quase-à-beira-da-loucura dos últimos anos. Apertemos os cintos!
A próxima viagem me parece aquele tipo de coisa que sempre se quis na vida mas quando, enfim, é chegada a hora, aí está o momento pra se constatar se o desejo é realmente coerente com as vontades.

- Eu falei que gostava de surpresas, não?



Pois bem. Me parece que o "Sr. Inesperado" andou mesmo espreitando as coisas e decidiu me deixar um presente pela visita.




*Recife, em 12 de setembro de 2010, por volta das três da tarde, às margens do Capibaribe, ouvindo Bon Jovi, com gosto de espumone na boca, vestindo a roupa que você mais gostava.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu contigo, eu comigo, nós conosco- por K.

O coração de ninguém deveria ser lugar pra pessoas cansadas. Descansar o coração em alguém é algo de que todo mundo precisa, mas é perigoso e arriscado. Não se pode dormir até o ponto em que se deixa de somar. Agora escuto Marisa e ela ta cantando: “Eu não quero ganhar; eu quero chegar junto; Sem perder. Eu quero um a um”. Não quero um amor cansado de novo. Cansado de amar errado, esperançoso pela mudança; pelo momento em que acordemos um dia e nos reconheçamos par. Achando que, se eu me esforçar e fizer tudo direitinho, vou acabar me convencendo de que ele é sim um bom partido, capaz de valer tanto crédito.
Hoje, depois de mais um coração partido, continuar pensando assim acabaria sendo a passagem pra mais uma desilusão. Não fui de muitos amores, é verdade. Mas me doei muito – embora de formas diferentes – pra cada um. De formas diametralmente diferentes, eu diria. Sempre achei que as pessoas são capazes de atingir seu potencial emocional máximo quando em um relacionamento e, em todas as minhas tentativas, quis me certificar de que o fizessem comigo. Talvez porque eu mesma quisesse me provar capaz de atingir o meu potencial – uma vez mais.
Agorinha, tentando tornar minha insônia produtiva, percebo o quão achar isso possível é uma batalha perdida desde o início. Ou talvez esteja percebendo que o outro é o amor que eu tenho por ele e que, nem de perto, foi o bastante. Talvez por minhas tentativas de “adestrar” o sentimento. Como da última vez que tentei amar, tudo foi tão sem resguardos, cá estou eu... pela metade. Me sentindo injustiçada pela forma como baixei a guarda, pela forma como fui driblada e pela forma como fugiram pra acabar a partida em outro lugar. Problema é já saber que certas coisas são feitas pro belo que é surgir naturalmente e, ainda assim, achar possível exercer controle. Alguém já conseguiu amar porque ia tentar amar? Alguém – sinceramente - já conseguiu fazer algum relacionamento dar certo premeditadamente? Alguém – de tanto tentar – já conseguiu reconhecer no outro aquele por quem tanto esperava? Assim... como recompensa pelo esforço e disciplina na arte de se deixar envolver?
Parabéns pelo esmero pros que, milagrosamente, vierem a responder “sim” e:

- depois passa aqui em casa pra tomar um café e compartilhar o segredo, ta?

Provavelmente me fará sentir aliviada por, pelo menos, descobrir que minha tática dos últimos tempos funcionou pra alguém.
Como se pode estar junto sem estar? Como se pode construir dois com um só e não a partir de? Como é que se constrói alguma coisa mentindo, sustentando o que não se é? Como se suga tanto esperando que o outro se contente com migalhas? Mas, principalmente, como pude achar que eu me contentaria, que isso me bastaria e seria merecedora de tão pouco?
Como alguém que se julga sensata se tornou a ingênua-maluca-da-vez e como o tal do “não se reconhecer” é complicado. Verdade seja dita, o que há de me provocar foco agora é reabilitação. Reabilitação pra mim, pro que eu entenda como "soma", e portas abertas pra minha reviravolta!
Vai ver é esse mundo caótico mudando quando ninguém pode prever. Puxando o nosso tapete, fazendo faxina na vida alheia e deixando a gente pra trás, junto com o amontoado do supérfluo. Meu último amor me alerta pra não me apegar a nenhuma idéia inútil sobre quem sou, o que represento, a quem pertenço ou que função eu poderia ter sido criada para executar. Ele pura e simplesmente me confirma que é possível que eu conheça meus limites, meus valores e minhas responsabilidades a partir do turbilhão de dimensões que somam aquilo que eu sou. Eu e mais ninguém. Fazendo isso por mim e não por motivos parecidos com “pra ser digna de alguém que me queira”.
Porque – por mais clichê que as próximas linhas pareçam – não há ninguém que me queira tanto quanto a pessoa que vos escreve. Mesmo que ainda ingênua, mesmo que tão questionadora. A única condição pra qual não há trato é a de que se faça juízo tão pequeno de mim. Não posso aceitar menos que isso. Não de novo.


*um lembrete: quando você está se esforçando além da conta para explicar alguma coisa, quando está procurando as palavras certas pra manter sua linguagem simples e direta, não transforme isso em um bicho-de-sete-cabeças. Simplesmente fale. Fale devagar que eu entendo rápido!

sábado, 4 de setembro de 2010

1, 2, 3... surpresa!, por K.

Incrível como as coisas – todas as coisas – resumem-se à percepção que se tenha delas. Os sonhos, as tragédias, os planos que já me pareceram tão grandes ou audaciosos – alguns deles – já até cabem e estão guardados em uma caixinha de memórias e de surpresas.
Exatamente porque a única coisa que nunca poderemos controlar (ou prever) é a capacidade que tudo sempre terá de nos surpreender. E aí ... exatamente aí... é que mais claramente se distinguem as pessoas: existem as que adoram ser surpreendidas e as que simplesmente odeiam.
É aqui onde todas as suposições caem por terra; onde as palavras e atitudes ensaiadas são esquecidas; onde tudo o que se poder fazer é respirar fundo, trabalhar através da situação e esperar estar pronto o bastante pra lidar com o inesperado. Quantas vezes não desistimos de milhões de planos simplesmente por achar não ser a hora; não estarmos prontos ou por não agüentarmos o tranco.
Pois lhes trago um velho tão novo fato: o "Sr. Inesperado" NÃO DÁ A MÍNIMA pras hipóteses que você considerou. Pros muros que construiu. Pras previsões que fez ou praquilo que lhe seja familiar. Ele simplesmente não pede permissão ou pergunta ser bem-vindo. Faz as coisas por ser um executor e ter grande apreço pelo “fazer acontecer”.
Então vai ser assim: mesmo que não tenha exata noção do que isso possa significar – e mesmo que, um dia, todo mundo já tenha sido advertido pra ter cuidado com o que deseja – eu absolutamente não vejo a hora e mal consigo conter a vontade de esbarrar, quase que aos tropeços, com ele. Com um turbilhão de tudo novo de novo. Com um turbilhão de... desafios. Com tudo isso e mais um monte de coisas do qual não faça a mínima idéia. Afinal de contas, onde se vê medo, hesitação ou retração, também se pode sentir vida, repleta de adrenalina e inspiração.
E aqui, meus amigos, voltamos ao início – como tudo na vida. As coisas – absolutamente todas as coisas – se resumem à percepção que se decida ter delas.

PS: e só pra constar, eu ADORO surpresas!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Viver e se deixar viver", por Kalina Simplício

Debaixo de um céu azul todo um cosmos acontece e se refaz seguindo novas linhas. Cada passo dado, cada inspiração feita, cada decisão tomada leva a milhares de diferentes conclusões e estas, por sua vez, influenciam outros passos. Mágica ao redor. Que vida maravilhosa que se pode viver e quão delicada, quão minuciosa ela é em cada aspecto. Não deveria haver razão para ter que se perder a fim de perceber o quanto se perdeu; o quanto se poderia ter feito até a chance ter passado; como algo poderia ter sido dito quando alguém já foi embora. Essa é a beleza do inesperado e a nossa chance de mostrar, inclusive e principalmente a nós mesmos, do que somos capazes e de quanto livre arbítrio dispomos. Sempre temos nas mãos mais do que imaginamos. O mundo, a rotina nos inebria, mas a sobriedade no nosso caráter há de ser trabalhada, despertada a cada nova espreguiçada pela manhã, pois infelizmente segundas chances são raras. Tento sempre não me deixar abater pelos percalços que me desanimam e sempre vale a pena. O belo está lá se quisermos enxergá-lo, assim como crianças, na sua intocada inocência, vêem duendes e fadas. O cenário se descortina diante de nossos olhos como queremos que se mostre. O positivista sempre terá mais chance que a maioria de nós, negativistas, frutos dessa descrença que adquirimos ao longo dos verões que se passam. Mas como a maioria das coisas, tudo pode ser trabalhado, inclusive nossos ‘eus’. Eu já fui ao fundo de mim e retornei e depois disso me ordenei a nunca mais me deixar abater por mais de um dia. Obviamente que fases são fases e não transcorrem em apenas 24 horas. Mas a cada novo dia uma pequena metamorfose pode ser catalisada dentro de nós mesmos se assim quisermos. Portanto, opte por ser melhor, para você mesmo e para todos a sua volta. É uma opção, de vida ou de morte. Embaixo de cada cicatriz tem uma batalha que perdi, mas a força adquirida nessa guerra sem fim me dá fôlego e ânimo pra seguir.
Como é bom viver!