sexta-feira, 8 de outubro de 2010

insônia filosófica, por K.

Mundo, mundo, vasto mundo... Quero teu cheiro, teu sabor, tuas cores, tua gente tão estranha. Quer coisa mais complexa do que o bicho homem? Mas quer coisa mais apaixonante do que tanto subjetivismo? Eu, com meu gosto tão peculiar pra gente, acho a nossa tragicomédia cotidiana o ciclo vicioso mais bem pregado que existe.

Aqui lembro, mais uma vez, da história do "nada se cria, tudo se transforma". Foi assim na época dos meus pais, dos meus avós, ... e vai ser assim pros meus filhos. O mundo sempre vai estar carente de boas iniciativas, de boas ações, com um monte de disparidade clamando coerência, com zilhões de contas pra pagar e problema pra resolver. Até que, numa bela manhã de sol, nos apareçam ícones pra toda uma geração - salve salve Buda, Martin Luther King, Gandhi, os Beatles, a princesa Diana - pra desempenhar o papel que, na minha opinião, sempre vai ser vital: o de dar o exemplo e servir de inspiração.

Se vivo fosse - que descanse em paz, o meu caro amigo Rosseau - adoraria registrar, pessoalmente, meu respeito por sua teoria. Rosseau creditava ao ser humano uma existência inata - pura, inocente, frágil, desprovida de males. Essa linha de pensamento coloca o homem como um "bom selvagem" e, por conseguinte, tido como ingênuo, sociável, sem vícios e capaz de condutas mais afetivas.

O que acabou com o conto de fadas foi o belo exemplo que demos ao longo de tantas chacinas, guerras e atitudes descabidas de maldade, na história do mundo. O choque com a análise de Rousseau é gritante - já que a violência serviu como meio pro alcance de fins dos mais escabrosos.

De qualquer forma, como uma boa dose de otimismo nunca é demais, a teoria do “Bom Selvagem” acredita ser possível associar a humanidade ao modelo de organização social vigente. Foi aí que, ciente do utópico estereótipo que acabara de criar, nosso digníssimo teórico nos deu um alento (aqui vem a melhor parte!): se nos basearmos em alicerces como a família, as amizades, o bom senso e o amor, nossa aproximação ao modelo proposto será facilitada. (Ufa!)

As escolhas, sempre as escolhas - para o bem ou para o mal - são as responsáveis por tudo. A inspiração pra isso, no entanto, não precisa vir em grande escala. Não precisa ser ícone pra muitos, mas basta que o seja pra mim, como indivíduo. Basta tocar – em escala mundial, ou não. Vinda de onde vier, seja de um amigo, da minha família, do meu professor, do meu autor favorito, basta que a inspiração exista e, por isso, já me torne grata porque através dela pude acessar o que reconheço como "o melhor de mim".

Essa, se não a melhor, é uma das melhores coisas que se pode fazer por outras pessoas. Inspirar o outro e, com nosso exemplo, deixar legados de admiração, orgulho e satisfação. O que seria de nós, e de tudo o que se pode ver, ouvir e tocar, se não houvesse a tal da identificação, da afinidade, da comunhão de idéias... daquele momento em que - É ISSO! - tudo agora parece fazer sentido? Tudo agora, pela forma como outra pessoa ou atitude foi capaz de fazer, enxergo as coisas com outros olhos?

Sou do time de achar que não há nada tão comovente - nem atos de amor ou ódio - quanto constatar que não se está sozinho. No fim das contas, o bicho homem foi feito pra viver em sociedade por alguma razão e isso nos leva a reflexões das mais válidas. A idéia de "vamos construir juntos?" sempre será capaz de me atrair até o último fio de cabelo. Sou de grupos, apesar de mais a favor ou melhor encaixada nos minoritários, tendo a valorizar mais o que é nosso, em detrimento do que é meu.

Tendo a valorizar os momentos em que escolhas são feitas, inspiradas por bons referenciais, em conjunturas que tornem possível nossa participação com o "melhor" que tivermos pra dar. Tendo a valorizar a multiplicação de "bons - selvagens", que façam escolhas, senão certas, pelo menos, sensatas. Afinal de contas, voltando a Gandhi, sejamos "a mudança que se quer ver no mundo". E essa, acredito eu, clama por ser das boas.

Um comentário:

Fausto Araújo disse...

Milaaaska, antes de mais nada, ótimo texto viu. Muito bem escrito.
Mas quanto a teorias, tendo mais à "Determinista" do que à "do Bom Selvagem", mas, lógico, sem considerar nada absoluto.
Já no que diz respeito ao individual ou coletivo, eu não tenho uma opinião formada sobre mim mesmo. Em uns momentos sou tigre, em outros, leão.

Beijoo!