sexta-feira, 5 de novembro de 2010

minha pequena grande guerra, por K.

Algumas guerras não terminam nunca. Algumas resultam em uma trégua desconfortável. Outras em total e inequívoca vitória. Algumas acabam com paz e outras acabam em esperança. Todas essas guerras, no entanto, não são nada comparadas com a mais assustadora de todas:

- Aquela que você ainda tem de lutar.

Medo é uma das armas mais poderosas e também move montanhas. Nascemos, vivemos, morremos - não necessariamente nessa ordem - e constantemente colocamos as coisas para descansar apenas para ressuscitá-las de novo. Então se a morte não é o fim, no que ainda podemos contar? Afinal de contas, não dá pra contar com nada nessa vida. Vida é a coisa mais frágil, instável e imprevisível que existe e, nela, só temos certeza de uma coisa – que talvez não seja a morte, como costumamos escutar.
Estamos sempre querendo dar sentido ao que nos rodeia, seja trabalhando com prazos a cumprir, com pessoas a orgulhar ou sonhos a buscar. Que maneira mais formidável de se fazer isso senão imaginando momentos pra que a ordem das coisas se cumpra? Que maneira mais formidável senão a de estabelecer metas? Não ter referencial para a duração do que devemos – ou deveríamos – ter feito pareceria desesperadamente sem rumo.
Não há nada mais tentador do que a capacidade de controle, de poder. O arrependimento que me bate é reflexo disso: de poder ter feito as coisas de forma diferente. O orgulho que me bate é reflexo disso: de poder ter feito a coisa certa, a escolha certa. Pra pessoas como eu, extremamente apegadas à forma como costuma planejar as coisas, essas sensações sempre serão próximas uma da outra.
Orgulho e arrependimento não são bons amigos, mas no meu mundo aprendem todos os dias a lidar um com o outro. Na desordem atual do meu mundo, estão tentando se respeitar. Experimente nos fazer perder a capacidade de previsão... experimente se sentir exatamente como me sinto agora, administrando a briga desses dois e perdida sobre quem vai vencer dessa vez.

- E agora? O que me vem depois?

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