A mulher, testando qual a sensação de voltar pra casa depois de tanto tempo pareceria, se pôs a refazer o caminho que outrora lhe era tão constante. À medida que o trajeto tomava forma, constatou as semelhanças com o guardado na memória como as mais próximas. Quando chegou à casa do amado – assustadoramente igual aos anos em que tomara um pouco como sua, iniciou um processo talvez de despedida.
A saudade com a qual teve de lidar e o ímpeto em bater à sua porta foram tão intensos como imaginara que seriam, mas orgulhou-se pela serenidade com a qual se pôs a controlá-los. A companhia constante de ambos pelos últimos anos aliada às tentativas de conciliar vontades opostas de mente e coração pareceram dar-la uma estranha noção do real, do possível e de proteção. Colocou-se a desejar que a janela abrisse para registrar como última lembrança o perfil do amado, que desconhecia estar sendo observado, ao invés das palavras cruéis ainda tatuadas em sua mente desde o último contato havido. As luzes do quarto ora ascendiam, ora apagavam levando embora e trazendo de volta as expectativas de vê-lo uma última vez, mesmo que de longe.
“Apareça, apareça, apareça, por favor.” – repetia e desejava mentalmente consigo.
Mas o desejo foi em vão. Tudo o que havia diante de si era a casa intacta - com suas janelas fechadas, de mãos dadas com a saudade e o lamento de não ser ouvida e não poder despedir-se à altura do grande amor que carregava no peito, na memória e com o qual construíra uma história digna da melhor forma de apaixonar-se: inesperadamente.
De qualquer forma, não importando mais de qual dos dois seria a culpa por terem se transformado em completos estranhos depois de tudo terminado, a mulher desculpou-se pelo estrago emocional provocado e voltou pra casa com outro grande desejo, além do de esperar que sua mente, assim como as palavras, tivesse poder: o de que as desculpas fossem recíprocas e lhe dessem o passaporte para um (re)começo.
Um comentário:
Oi Kamila, parabéns, lindo texto.
Aliás, adorei o blog todo.
Beijos.
Juliana Evangelista (amiga da Kalina)
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